Sobre o luar

Por mais de três noites ele a avistou
De penumbra a sombra em completo mínguo
Sem saber do ciclo ele observou
E gelado de medo do farol gritou:
– Do que tu tens medo?
– Tenho medo da noite, que aqui sempre está.
Do vazio do tempo, do Sol apagar, pois
Do seu brilho vem meus suspiros de mar.

Generoso, o menino, se pôs a ajudar
Pegou o violão, começou a cantar
“Pra ti, minha amiga, um cravo lhe deixo
Tudo que canto, notas que escrevo
Levo todo amor que até aqui guardei
E o primeiro beijo que ainda não dei”.
E a Lua bonita, logo foi crescente
Ficou toda toda no espaço, contente.

E ele empolgado de vê-la brilhar
Parou a canção e começou a contar
Historias de outrora, de tempos de gloria
De livros, de reis, de lembrança e memoria
A Lua encanta em sua dicotomia
Escutou atenta toda a poesia
E como se pouco, toda a contação
O menino trouxe mais coisas na mão

Deu rosas, deu velas, ascendeu incensos
Um pato de borracha, discos e brinquedos
Encheu Dona Luna com tantos adornos
Que sua pele branca de frio virou morno
Não demorou muito e ela ficou cheia
Ninguém percebeu no meio da brincadeira
Ai veio o Sol querendo brilhar
E a Lua cheia começou a apagar

– Porque tens que ir Luna? Fica! Tá cedo.
– Se não for agora, não volto, me perco.
E lá ficou ela de face blassé
Junto as estrelas sem ter o que fazer
Nem tchau pro menino disse na correria
Pensou com si mesma: “Vejo ele outro dia”
Mas ele orgulhoso se pôs a chorar
Disse: “No farol eu não vou mais ficar”

Chegando em casa, o susto foi grande
Só tinha uma porta, o sofá e a estante
De restos de nadas sobrou-lhe o pensar
– Dei tudo pra lua. E agora, o que há?
Ai veio o Sol na janela da frente
Invadindo as frestas, trazendo luz quente
– O que foi amigo? Será que não vê?
Agora estás livre pra tudo preencher.

 

moon_boy_by_tabashio

Indgnato acha que “essa fera ai, tanto no pessoal, quanto no profissional”…

Postado em by Kinho - Pilares