O Hobbit – A Desolação de Smaug – 2013 (The Hobbit – The Desolation of Smaug – Peter Jackson)

161 min – Aventura | Fantasia – USA – Nova Zelândia

Antes de começar a falar desse verdadeiro desastre, tenho que admitir que, O Senhor dos Anéis é um dos meus filmes favoritos, e O Hobbit é um dos meus livros favoritos, mas que antes de um leitor, eu sou um cinéfilo, e vou analisar o filme apenas como cinema, independente de sua obra inspiradora, como deve ser.

A doença: Uma jornada inesperada já foi um filme muito aquém do que poderia ter sido, por dois motivos:

1º A infeliz troca de Guilhermo Del Toro para Peter Jackson na direção.
2º A escolha de fazer 3 filmes na adaptação de um livro de 300 paginas.
Primeiro, o Guilhermo Del Toro (O Labirinto do Fauno / Círculo de Fogo) é muito melhor
diretor que Jackson, é um dos mais inventivos e competentes diretores de arte da história do cinema, o que seria um ganho vital num filme de fantasia infantil. Depois, tomado pela ganância e pela falta de respeito, Jackson decide estender o que caberia em um bom filme de 2 horas, para um de 9 horas, num verdadeiro show de encheção de linguiça, para levar o telespectador 3 vezes ao cinema. Uma verdadeira “falta de sacanagem”!

O filme começa bem, no mesmo ritmo do antecessor, cheio de coisas desnecessárias, personagens desnecessários e preguiça. Mas também com graça, pelos anões, e pela atuação carismática de Martin Freeman (Bilbo), isso até o termino da melhor cena do filme, que é a queda dos barris. Depois disso, ele sai do mediano e cai no abismo do horror!

Depois de Beorn, mais um personagem desnecessário para o filme, e da cena, apesar de empolgante, mas falha da queda dos barris com a utilização medonha de “GoPro” e uma computação gráfica pior que filmes B, a história continua com uma perseguição inexplicável aos anões, e a introdução de mais um personagem que não deveria estar ali: Legolas. Numa clara imbecificação do filme, que se estende até o final, onde Peter Jackson nos chama de retardados a todo memento em cenas repetitivas e um roteiro mastigado e didático, digno de Teletubbies.

Como se não bastasse a introdução ridícula dos elfos, temos um Thrandruil afetado em diálogos insuportáveis, e a forçação de um romance sem sentido entre uma elfa e um anão.

O filme também, a todo momento copia na maior cara dura, cenas de O Senhor dos Anéis, para mostrar ao telespectador acéfalo, que àqueles filmes estão ligados, em verdadeiras pérolas do terror, como a cena onde Gandalf bate o cajado lançando uma bola de energia tosquíssima num lugar onde a direção de arte mandou lembrança, e outra onde o olho de Sauron fica se repetindo em takes anedóticos, por quase 1 minuto, num claro insulto à quem assiste.

Na cidade de Bard, o filme se perde totalmente no poço do mal gosto e no mundo do “o que eu tô fazendo aqui?”. Nesse ponto do filme não existe mais nada da Terra-Média, tudo cheira ao genérico e à Piratas do Caribe. Parece que alguém cortou uma fita de um filme ruim de piratas e colocou no meio de O Hobbit, por que não se encaixam de forma alguma! Os cenários não fazem sentido, o figurino não faz sentido, a fotografia e o roteiro não fazem sentido…

E pra fechar com chave de cocô, vem à parte mais esperada do filme, o encontro de Bilbo com Smaug, único lugar onde nos sentimos na Terra-Média, e onde conseguimos ver Bilbo, que fica apagado o filme inteiro num mar de no sense e deselegância.

A cena prossegue com falhas, mas com carisma por Matin Freeman, mas a dublagem de todo o filme é vergonhosa, e a voz do dragão, que é mais retardado que o velho Barbosa da antiga TV Pirata, não soa como a de um monstro num grande salão, e sim como se estivesse na cabeça de Bilbo, é horrível! Os anões entram no salão e a fantasia vira comedia, numa computação gráfica digna do mundo LEGO, vista só em filmes dos anos 70.

A desolação de Smaug é um filme que não lembra em nada nenhum filme da Terra-Média já feito, ele parece um filme genérico de fantasia como Dungeons & Dragons. Os aspecto do filme é diferente, e tudo nesse filme, ao contrario da Saga de O Senhor dos Anéis, é feito em computação gráfica, da forma mais porca possível. Existem cenas em que a diferença de renderização é tão esdrúxula, que chega a ser ridículo, vide o dragão, que é incrível nos primeiros momentos de aparição, e que depois se torna um bonecão roxo batendo em pilastras, ou as cenas dos orcs, onde antes vimos uma excelente maquiagem, e agora temos um 3D safado. Tem uma cena (dentre outras, e outras ridículas), onde os anões descem um monte à cavalos, é feita também em computação. O que aconteceu? É preguiça? O filme não tem música, não tem roteiro, não tem ritmo, não tem bom senso, e não tem o por que existir.

É ofensivo e desnecessário, e não merece mediações, porque foi feito de má fé e preguiça, por um diretor que não é novato, que não é alheio à história, e que pelo contrário a domina muito bem. Uma verdadeira aula de como não se fazer cinema, digna de O Último Mestre do Ar de M. Night Shayamalan. Uma gororoba áudio-visual intragável, cheirando à podre, de um cozinheiro porco e preguiçoso, que da dor de barriga e fere os olhos. O Framboesa de Ouro pra este, já está garantido! Nem uma continuação da série crepúsculo tiraria a estatueta dele.

Trailer

Indgnato ficou indignado com esse filme!

Postado em by Kinho - Review